Amigo, há quanto tempo!

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Sandra e Mirelle em dois momentos: colegas de escola (esquerda) e o reencontro 20 anos depois (acima)
Sandra e Mirelle em dois momentos: colegas de escola (esquerda) e o reencontro 20 anos depois (acima)
Sandra e Mirelle em dois momentos: colegas de escola (esquerda) e o reencontro 20 anos depois (acima) Sandra e Mirelle em dois momentos: colegas de escola (esquerda) e o reencontro 20 anos depois (acima) Sandra e Mirelle em dois momentos: colegas de escola (esquerda) e o reencontro 20 anos depois (acima)

Os anos e a distância podem fazer esfriar uma velha amizade, mas o prazer do reencontro faz reacender a chama

Pense num amigo que você não vê há muitos anos. Será que ele se casou? Mudou de cidade? Teve filhos? Passa por dificuldades? Teria morrido?

Causa uma certa angústia imaginar que em plena era das comunicações, com celular no bolso e perfil no Facebook, estejamos tão distantes de pessoas que foram importantes num determinado momento de nossas vidas.

A justificativa é até natural. Vivemos numa sociedade dinâmica e por demais acelerada, sem tempo para quase nada que não seja trabalhar e cuidar da família. O escritor André Giusti, entretanto, não se conforma com esta teoria. “As respostas, acho, são várias, mas uma em particular se me apresenta com destaque: nós não cuidamos de nossas amizades, e a sentença vale também para mim”.

Ficou com remorso? Tudo bem, são coisas da vida. Mas dá para fazer uma correção de rota, ainda que você passe por alguns constrangimentos ao procurar aquela colega do tempo de ginásio:

- E sua mãe, continua fazendo aquela lasanha maravilhosa?

- Mamãe morreu tem 10 anos.

- E o Marcos? Vocês se casaram?

- Nem me fale esse nome! Ele me trocou por outra...

- E a profissão? Fez Medicina?

- Virei advogada. Tenho até um blog famoso. Você nunca leu?

Se a amizade for verdadeira, as bolas fora estarão perdoadas!

Do lado esquerdo do peito

Na sua “Canção da América”, o compositor Milton Nascimento sustenta: amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coração. “Muitas vezes o entendimento com o amigo é maior do que com um parente”, observa a psicóloga Sandra Reis, especialista em terapia cognitivo comportamental. Segundo ela, a amizade é um sentimento que, mesmo quando interrompido devido às atribuições da vida ou mudança de endereço, continua forte. Tal como uma brasa que vira chama, desde que provocada.

Ela própria vivenciou o afastamento de uma grande amiga, Mireille Gondim. As duas se conheceram em 1994, durante a faculdade, e eram praticamente inseparáveis. Ao término do curso, Mireille se mudou para Macaé e Sandra ficou em Campos. Mesmo distantes apenas 100 quilômetros, acabaram perdendo o contato. Reencontraram-se há um ano, através das redes sociais, e a brasa voltou a ser chama. “Foi como se nunca tivéssemos nos separado”, conta Sandra, que agora almoça com a amiga pelo menos uma vez por mês.

O aposentado Antônio Thomé se lembra com carinho de três amigos. Com Antônio Eduardo, antigo colega da Telerj em Campos, já são 23 anos de uma relação bem cultivada. Aposentados, os dois continuam se encontrando para pedalar nos finais de semana. Com Gilberto Gonçalves e Marcos Brasil, a amizade já dura 46 anos. Nem a distância atrapalha, ainda que Marcos more em Brasília. Numa ocasião, os dois se encontraram por acaso no Maracanã. “Eu sou Botafogo e ele é Flamengo, mas sem problema. Fomos para a antiga geral e torcemos cada um para seu time”, conta Thomé, que faz questão de deixar claro: a lista de amigos é muito maior.

E aí, pensou em mais amigos que ficaram no esquecimento? André Giusti sugere: perca um minuto de seu tempo para procurá-los pelas redes sociais ou na lista de contatos de seu celular. Caso se sinta constrangido, diga apenas “como vai”, “o que tem feito”, ou “estamos aí para o que der e vier”. Do outro lado, com certeza vai ter uma pessoa muito feliz em saber que tem um amigo com quem pode contar.

Como na época da escola

Sete de setembro é dia sagrado. Todo ano, nesta data, os ex-alunos do Colégio Nova Friburgo (CNF) se encontram para o desfile cívico na Avenida Alberto Braune. Lá vão eles, carecas, barrigudos e muito, muito felizes. “A gente era muito unido. A escola era um ambiente muito descontraído, com muito espaço, muita interatividade, e num lugar maravilhoso”, recorda o professor aposentado Luiz Carlos de Araújo, 73 anos, que estudou no CNF entre 1953 e 1960.

O colégio acabou, mas as amizades daquele tempo continuam de pé - em muitos casos há mais de seis décadas. Com frequência, o grupo organiza reuniões em Nova Friburgo, Rio de Janeiro e São Paulo. “É muito importante manter essas amizades. A gente fala de tudo: sobre o passado, sobre notícias dos outros e também sobre atualidade”, comenta Luiz Carlos, autor do cordel “O espírito cenefista”, publicado na introdução de um livro que conta como era a vida na instituição de ensino.

Cultive amizades

• Deseje ao seu amigo o que há de melhor, como gostaria que fosse com você.

• Respeite seus pontos de vista. Mesmo não concordando, aceite-os.

• Procure manter contatos frequentes para colocar o assunto em dia.

• Faça pequenas surpresas – por exemplo, uma mensagem de aniversário.

• Seja sincero. A naturalidade é importante em qualquer relacionamento.

• Modere suas críticas, mas incentive e elogie sempre que puder.

• Não tome espaço demais na vida do outro, é preciso estabelecer limites.

• Agradeça a Deus por ter colocado esta pessoa em seu caminho.