um amor de Mãe

Canal Atualidade
Fotos: Fabiano Gomes e Arquivo Pessoal

Cada uma tem sua história, e todas merecem ser compartilhadas. Mas neste mês dedicado a elas, Vida Assim entrevistou três mulheres especiais: Lúcia, Marília e Tânia. As três mostram que o amor por um filho não tem limites; não importa como sejam, quantos sejam e a quantas coisas se deve renunciar para vê-los felizes. Por mais que as estradas da vida apresentem curvas sinuosas, essas mamães seguem sempre seu caminho, com os braços e o coração abertos.

Na casa da Lúcia, sempre cabe mais um

No coração de mãe sempre tem lugar para mais um. É assim com a Lúcia de Brito Campos. Além dos quatro filhos biológicos e sete adotivos, ela já acolheu aproximadamente 500 crianças e adolescentes no Instituto da Criança Pinokio, que fica no município de São Francisco de Itabapoana.

Fundada em 1995 com o apoio financeiro de amigos da Holanda, onde Lúcia viveu por alguns anos e se casou, a instituição abriga jovens abandonados pelas famílias biológicas ou encaminhados pelo Conselho Tutelar e pela Vara da Infância e Juventude. Todos os moradores desta grande família estudam, praticam esporte e fazem artesanato. “É gratificante para mim quando consigo devolver à sociedade jovens responsáveis e educados”, diz a supermãe.

Ver a alegria no rosto das crianças é um sonho que começou ainda na infância, quando Lúcia, então moradora no Rio de Janeiro, arrecadava dinheiro com os vizinhos para distribuir leite a pessoas cadastradas num programa criado por ela própria. Anos depois, o sonho foi construído tijolo a tijolo, no lugar onde a fundadora do Instituto Pinokio costumava passar as férias com os avós.

E a família vai crescendo à medida em que o tempo passa. Os meninos vêm, ficam adultos, vão embora. Namoram, casam, têm filhos. Mas sempre voltam para visitar a mãe cujo coração vai ficando cada vez mais espaçoso para caber tanto amor.

Marília: cuidar dos filhos foi a melhor escolha

Trabalhar fora ou cuidar dos filhos? É um dilema comum às mães modernas. Odontopediatra de Nova Friburgo, Marília Ruiz tomou sua decisão ao engravidar do terceiro filho: era hora de se voltar para o lar e acompanhar o desenvolvimento das crianças. “A vida foi me mostrando que o tempo ausente não voltaria, e estava me trazendo angústia não conseguir acompanhá- los devido à grande carga horária do consultório”, recorda.

Depois de algum tempo, ela iniciou uma nova frente de trabalho: ajudar a administrar a empresa do marido, Marcelo. Até que a rotina doméstica a chamasse de volta, com a chegada do quarto filho. E lá se foi Marília para casa mais uma vez, feliz com o caminho que escolheu. Arrependimento? Nem pensar.

“Meus filhos são excelentes companheiros de lutas! Eles são amigos, apesar das diferenças. E digo a eles que o maior presente que me dão é o cuidado que um tem pelo outro. Acho que já entenderam o valor de caminhar no bem, e isso os torna pessoas amáveis”, diz a mãe-coruja de Alice, Clara, Marcelo e Maurício.

Na opinião de Marília, sair da zona de conforto nos coloca aptos a desenvolver novas habilidades. Nem sempre os movimentos são fáceis, mas isso não significa frustração; pelo contrário, traz uma imensa satisfação. “Sonho bom é poder acordar todos os dias com esses filhinhos tão amados por perto. Sei que chegará o momento em que eles baterão suas asas, e será espetacular vê-los voando seguros e capazes de pousar. É isso! Sou mãe e agradeço a Deus todos os dias por este presente”.

Tânia, forte como uma árvore

Quis o destino que a dona de casa Tânia Maria Gomes Correa viesse ao mundo num 21 de setembro, Dia da Árvore. Tal como as árvores, Tânia é forte. Diante das ventanias da vida, segue firme. Enverga, mas não quebra. Não quebrou nem quando, há pouco mais de 13 anos, mãe de três filhas, foi abandonada pelo marido em sua quarta gravidez. Ela ainda não sabia, mas estava prestes a receber um fruto muito especial: o Emanuel.

“Ele é o xodó de casa”, derrete-se. Com pouco mais de 1 ano, Emanuel começou a manifestar os primeiros sintomas da miastenia grave congênita, doença autoimune que faz os músculos se contraírem até o ponto de o paciente perder seus movimentos. Mãe e filho iniciaram uma batalha pela vida, que os fez morar por três anos em hospitais do Rio e Campos. Mas, tal como as árvores, Tânia continuou firme. Seu sonho: levar o filho de volta para casa e cuidar para que tivesse uma vida mais digna, mesmo contra todos os prognósticos.

“Os médicos não acreditavam que seria possível. Eu sabia que ia ser difícil, mas nunca duvidei”, admite a dona de casa, que foi uma das pioneiras em Campos na luta pelo serviço de home care (assistência domiciliar). Com o apoio de uma empresa privada, ela montou uma espécie de mini-UTI em sua casa, onde Emanuel – que respira e se alimenta por aparelhos – recebe atenção dia e noite. Há dez anos, a família voltou a ficar unida em seu lar.

“Ser mãe é uma coisa maravilhosa, a gente não tem nem explicação. Eu digo que quem tem um filho especial também é especial. Sinto que Deus me escolheu”, comenta Tânia, que tem outro desejo: adotar uma criança. Nos galhos dessa árvore, tem lugar para mais gente.